Um blogue em que os meus convidados são desafiados para uma entrevista em jeito de conversa de café
19 de Agosto de 2010

Já os vimos na passerelle, na televisão, nas revistas. Mas muito desconhecem o seu projecto mais recente. O Clube Divinal promete surpreender. Estive à conversa com a Mónica e o Rubim.

 

publicado por Rita Filipe às 21:55
14 de Agosto de 2010

Um dia decidiram mudar de vida. Trocaram as artes gráficas e o design pelo Kitesurf, Lisboa pelo Algarve. Hoje são instrutores de Kitesurf e donos da Southadventures. Vivem os dias ao sabor do vento e de um desporto que lhes dá muito prazer.

Quem disse que os dias de vento não são bons para ir à praia?

 

 

Temos alunos que vêm directamente do sofá e da playstation. E possivelmente ao fim de 10 horas estão a andar e bem.

Ricardo Taveira

 

Somos a única escola móvel do Algarve. Se houver vento nós vamos lá estar.

Sofia Teles

 

 

Rita Filipe - Actualmente dedicam-se inteiramente à escola de kitesurf. Mas nem sempre foi assim. Que profissões tinham anteriormente? Quando é que este desporto entrou na vossa vida?

 

Sofia Teles – Nós vivíamos em Lisboa antes de nos mudarmos para o Algarve. E tínhamos profissões mais tradicionais. A minha área são as artes gráficas, trabalhava como produtora gráfica. Houve uma altura em que comecei a ficar cansada da vida de Lisboa, do tempo que se perde no trânsito. E em 2003 surgiu a oportunidade de mudar.

 

Ricardo Taveira – Eu tinha uma empresa a meias com o meu pai, trabalhava em design gráfico. Houve uma altura em que as coisas não estavam a correr como queria. Coincidiu com o facto de frequentarmos cada vez mais o Algarve ao fim-de-semana para praticar kite. Um dia olhámos um para o outro e decidimos vir para o Algarve.

 

 

RF - Como é que o Kitesurf entra na tua vida?

 

SF – Não aconteceu logo. Já tinha visto Kite e queria aprender. Na altura não havia muita gente a praticar em Portugal, ainda não existiam muitas escolas. Depois conheci o Ricardo também em 2003, soube que ele fazia kite e fiquei com vontade de aprender. Fiz o curso. Quando nos mudámos para o Algarve trouxemos a empresa que o Ricardo tinha na altura, que fazia webdesign e design gráfico. Ainda trabalhámos em design cerca de um ano e meio. Depois começamos a perceber que o circuito do design aqui é um pouco fechado e como somos de Lisboa era complicado ter trabalho nessa área. Percebemos que tínhamos de mudar de área para continuar no Algarve. Como aqui o que existe é muito em função do turismo e gostávamos muito de Kite,  criámos a nossa empresa a partir de uma ausência no mercado. Definimos o nosso target, especialmente turistas estrangeiros.

 

Ricardo Taveira – Descobri o Kitesurf há muitos anos, numa fotografia numa revista de surf. Sempre adorei mar, faço surf desde os 12 anos e disse para mim próprio que ia aprender a fazer kite quando o desporto chegasse a Portugal.

 

RF – Como é que explicas o que é o Kitesurf? Que tipo de sensações temos? É parecido com o surf?

 

RT – É um desporto fácil, muito mais fácil que o surf. Imagina que só tens duas horas para a tua prática. No kite chegas à praia e estás essas duas horas a desfrutar, enquanto no surf tens a componente de remada, a espera das ondas.

 

ST – O Kite é um desporto que aproveitas desde o primeiro minuto. Desde que agarras no Kite mesmo fora de água, já te estás a divertir, estás a gostar e ficas motivada. Enquanto que o surf primeiro que consigas tirar partido precisas de um grande tempo de aprendizagem. Aqui o tempo de aprendizagem é curto.

 

RT – Temos alunos que vêm directamente do sofá e da playstation. E possivelmente ao fim de 10 horas estão a andar e bem. No surf ao fim de 10 horas se conseguires remar e ficar sentada na prancha sem cair já é bom. O kite é um desporto bonito, completo.

 

ST – É um desporto vistoso, que atrai muita gente. Se estiverem duas pessoas na água, uma a fazer kite e outra surf, 90% das pessoas olham para o kite.

 

 

 

 

 

 

RF – Vocês definiram os turistas estrangeiros como público-alvo. Pelo facto de estarem no Algarve ou os portugueses ainda não procuram muito este desporto?

 

RT – Pelo facto de estarmos no Algarve esse é o nosso público-alvo. Nos meses mais fortes também muitos alunos portugueses, mas são sobretudo estrangeiros.

 

ST- Em Portugal as pessoas estão mais habituadas a estar na praia. É natural que pessoas vindas de países como Inglaterra tenham mais vontade de experimentar um desporto novo durante as férias. Temos muitos clientes que fazem férias com o objectivo de fazer kitesurf. Então aproveitam um sítio como o Algarve, com um bom clima para aprender.

 

RF – Porque é que um cliente deve escolher a vossa escola?

 

ST – Aqui no Algarve somos a única escola móvel. Não estamos numa só praia. Temos a nossa base que é a loja em Faro. Temos um barco que está sempre connosco e vamos para onde estão as melhores condições de vento nesse dia. Se não há vento em Faro e há no alvor é para lá que vamos. Isso permite aos nossos cliente a garantia de que no período de férias vão poder fazer o curso nas melhores condições. Se houver vento no Algarve nós vamos lá estar.

 

 

RF – Há pouco estavam a dizer-me que o kitesurf é sazonal, entre Abril/Maio e Outubro. Como gerem a vossa vida profissional o resto do ano?

 

ST – Temos a loja… passamos o Inverno a organizar aquilo que será o Verão. Fazemos contactos com Hotéis, com agentes turísticos, updates de sites, publicidade em revistas, folhetos… temos alunos que a partir de Dezembro nos contactam para vir no Verão. E por isso em termos de contactos estamos a trabalhar o ano inteiro. A maior parte dos nossos cliente já chega ao Algarve com reservas, já sabem quem somos, qual a nossa forma de trabalhar.

 

RF- Vocês vivem ao sabor do vento. E se deixasse de existir vento? O que fariam?

 

ST –   Inventávamos outra coisa qualquer. (risos)

 

RT – Provavelmente ligado ao turismo.

 

ST – Por incrível que pareça ainda há muita coisa para fazer em relação ao turismo no Algarve. Basta estar atento às necessidades do mercado.

 

RF – O que é que gostavam de explicar acerca do Kitesurf que ainda não vos tenha sido perguntado?

 

STAinda há desconhecimento geral acerca do kitesurf. Tem sido uma grande batalha nos últimos anos. Queremos dar a conhecer o que é o Kitesurf ao público em geral e às autoridades.

 

RT – Queremos o reconhecimento legal acima de tudo.

 

ST – Nós não queremos perturbar ninguém nas praias. Queremos ter o nosso espaço e que todos estejam seguros. Porque praticar kite requer espaço. Não é numa praia cheia de gente a incomodar as pessoas que lá estão. De Verão estamos um pouco limitados. Por mais que nos afastemos existem sempre pessoas nesses locais. Então parece que estamos sempre a perturbar os outros. Com pessoas na praia, com barcos na água os nossos alunos não estão seguros. A própria polícia marítima não sabe o que fazer se tiver de socorrer quem está a praticar kite. Nós temos comunicado com as autoridades marítimas, já nos oferecemos várias vezes para dar formação, porque é importante. Por exemplo Tarifa, aqui já ao lado em Espanha, que é a Meca europeia do Kitesurf, é um local super organizado. Existem zonas para banhistas e zonas próprias para fazer kitesurf. E a própria polícia marítima sabe exactamente o que fazer para socorrer alguém. Aqui não há esse conhecimento. E isso é importante não só para a segurança dos banhistas como para os praticantes de kitesurf. Penso que esse é o passo seguinte, haver zonas próprias. No fundo o reconhecimento legal do desporto com tudo o que isso implica.

 

 

 

 

Kitesurf. O nome resulta da junção de duas palavras inglesas: Kite, que significa asa e Surf, do verbo inglês to surf, que significa navegar. Para praticar este desporto é utilizada uma asa presa à cintura do praticante, e uma prancha com uma estrutura de suporte para os pés. 

 

 

publicado por Rita Filipe às 23:50
04 de Agosto de 2010

Eles trocaram Lisboa pelo Algarve, as artes gráficas e o design pelo Kitesurf. Agora, vivem ao sabor do vento. Estive à conversa com a Sofia Teles e o Ricardo Taveira, instrutores de Kitesurf e donos da South adventures.

 

 

publicado por Rita Filipe às 22:21

Após alguns meses de ausência estou de volta. Os compromissos profissionais não deixaram espaço para aquilo que me dá mais prazer. O blogue regressa com energia de verão. Aguardam-se muitas e boas conversas.

publicado por Rita Filipe às 22:13
04 de Abril de 2010

 Foi entre aulas e múltiplos compromissos que encontrou tempo para esta conversa. É adepto do Sporting de Braga. Passa a hora de almoço a nadar no mar. Conhecêmo-lo da televisão mas é no ensino que se sente no palco.

 

 

Ser-se jovem hoje significa preparar-se para ter várias actividades profissionais ao longo da vida. (...)E têm de estar preparados para que a única constante da sua vida seja a mudança.

 

 

Rita Filipe – Político, comentador, professor. Quem é Marcelo Rebelo de Sousa?

Marcelo Rebelo Sousa – Professor antes de mais, é essa a minha vocação. Esse foi o meu desejo durante toda a vida, concretamente professor de direito da Universidade de Lisboa. Sou essencialmente professor. Era o que o meu pai gostava de ter sido e o padrasto não quis que ele fosse. Acabou por ir para Medicina. Vinguei o sonho do meu pai e por outro lado fui sensível à influencia de muitos amigos do meu pai que eram professores de direito e que eu conheci desde miúdo. Enquanto pedagogo, enquanto alguém que comunica mas que investiga, por extensão acabei por ser muito cedo também comunicador. Quando? Como? Trabalhando em jornais desde a escola primária, depois sendo responsáveis em jornais no liceu, continuando a trabalhar em jornais nacionais ao longo da minha faculdade, e depois tendo essa actividade paralela, primeiro na imprensa escrita, mais tarde na rádio e nos últimos dez anos na televisão. Finalmente político também como um prolongamento da vocação pedagógica, sempre inesperadamente. Nunca planeei nada. O nascimento do PSD, deputado da constituinte, ulteriormente dirigente do partido, membro do governo, líder do partido. Resposta mais directa essencialmente professor.

 

RF – O Professor precisa de palco, de espaço mediático para viver?

MRS -  Não. Tenho um palco natural que é o do ensino. É um palco bem dimensionado. Dou aulas nos primeiros anos, o que quer dizer umas centenas largas de alunos com o muito trabalho que isso exige em termos de pontos escritos e de orais. E esse já é um palco adequado e humano em que é possível tocar as pessoas e conhecê-las. Os palcos que tive subsequentemente já não são de centenas mas de milhares de pessoas. São palcos mais difusos. As pessoas têm noção que são minhas íntimas e que me encontram na rua e falam como se me conhecessem muito bem. Depois pedem desculpa porque me conhecem bem mas eu não as conheço. Mas eu tenho de as tratar como se as conhecesse e estar disponível. É o preço que se paga pela situação em que a pessoa se coloca. Nessa medida não preciso de palco tão amplificado para ser feliz. Prefiro o palco comezinho de uma aula de mestrado ou doutoramento, que ainda é mais restrito são 10, 15 ou 20 pessoas.

 

RF – O Professor é considerado um opinion maker. Até que ponto vai a sua influência na vida politica?

 

MRS – Acho que é muito exagerada. Os chamados líderes de opinião, os comentadores são muito variados. Há comentadores na imprensa, na rádio e na televisão. Hoje há poucos comentadores na televisão. Há um empobrecimento do nível cultural e do debate político na televisão e portanto há muito poucos, mas já houve mais. Há muitos comentadores na televisão por cabo. A sic noticias tem vinte comentadores. Uma coisa que não percebo são os políticos que são comentadores ao mesmo tempo. Actuam politicamente e comentam-se a si próprios. Hoje tenho a noção que se deve separar isso, ou se actua partidariamente ou se é comentador. Em qualquer caso são muitos comentadores, a sua influência é muito dispersa. O peso que eu porventura possa ter decorre do facto de ser comentador há muito tempo. Sou o segundo comentador mais antigo de Portugal. Há só um que agora aparece pouco na televisão, que é o José Carlos Vasconcelos, ainda escreve na Visão, foi director de “O Jornal” , director do “ Jornal de Letras” , que é um homem que escreve antes do 25 de Abril, mas que aparece pouco em termos audiovisuais. Logo a seguir o comentador que faz comentários de forma ininterrupta desde os anos 70 sou eu. E portanto há uma habituação. Na televisão faço há 10 anos. Gostando ou não as pessoas habituam-se a ver e a ouvir a minha opinião. A debater os temas que eu levanto. Nessa medida posso ter alguma influência, não pelo que defendo mas o facto de agitar as águas.

 

RF – Muitas vezes é criticado por comentar de tudo um pouco. Como é que lida com essa critica?

MRS – É verdade que sou muito criticado por isso. Não é totalmente justa a critica, porque há coisas que não comento. Não comento cinema porque não sei. Não comento teatro. Comento pouco a música. Culturalmente comento livros porque estou um pouco mais à vontade. Há domínios técnicos especializados que não comento. Quando tenho de comentar matérias alheias aos meus interesses, que não é direito, politica ou economia, que não são problemas sociais ligados à política, isso obriga-me a um esforço de informação e de estudo. E portanto o que digo é sempre com alguma ressalva. Eu apurei, informei-me, os especialistas dizem isto… Parece ser um leque muito grande de temas, mas não é tão grande quanto isso.

 

RF- Passam-lhe dezenas de livros pela mão. Se tiver de escolher um livro qual seria?

 

MRS – Em várias fases da minha vida tive livros que me marcaram. Nem sei como há pessoas que têm um livro que marca a vida. Podia dizer que sou católico e portanto há um livro que me marcou especialmente toda a vida que é a Bíblia. Nesse sentido sim. Agora a cada fase da vida houve livros que me marcaram. Acabo por ser muito sensibilizado pelos livros que acabei de ler. Nas últimas semanas li a Biografia que a Maria Filomena Mónica fez do Fontes Pereira de Melo.

 

RF – O Professor foi um aluno exemplar, terminou Direito com 19 valores. Acha que os alunos hoje em dia são aplicados?

 

MRS – Acho que têm de ser. São é muitas vezes mal aplicados. Este regime de Bolonha que é semestral é uma corrida contra o relógio. O semestre tem 3 meses, durante os quais têm pontos, trabalhos, investigações, e exames. Começa logo a seguir outro semestre que são mais 3 meses. Pelo meio têm férias de Natal, Páscoa. A matéria é muito condensada. Os professores muitas vezes mantêm a matéria que tinham para a cadeira anual. Impingem a matéria num semestre. Por isso não é falta de aplicação. Eles trabalham muito.  Os jovens são muito menos maduros do que eram no meu tempo. Porque sabem mais coisas, têm muito mais informação, e têm menos tempo para digerir a informação. Quando chegam à universidade sabem o que nós não sabíamos. Que já miúdos sabem via internet e audiovisual. Mas não têm tempo para digerir tanta coisa.

 

RF – Temos jovens licenciados à procura do primeiro emprego demasiado qualificados. Em Portugal não conseguem trabalho e são obrigados a tentar no estrangeiro.

 

MRS – Temos aqui vários problemas e um deles é um problema de vocação. Há grandes diferenças entre ser-se jovem hoje e há 30 ou 40 anos. Porquê? Ser-se jovem hoje significa preparar-se para ter várias actividades profissionais ao longo da vida. Eu fui educado para ser uma coisa ao longo da vida. Professor de Direito toda a vida. E na Faculdade de direito de Lisboa, perto do sítio onde vivia a minha família. E isso acabou. A pessoa vai ter várias actividades profissionais ao longo da vida e nem imagina quais. Seja no mundo, na Europa ou em todo o país. E para isso há coisas que são fundamentais. Que não é necessariamente o empinar muito ou memorizar. Embora seja útil. Em primeiro lugar saber resolver problemas equilibradamente. Segundo lugar, saber comunicar. No séc. XXI quem não souber comunicar vai ter uma dificuldade imensa, inclusivamente pelas novas tecnologias da informação. E saber localizar no tempo e no espaço. É uma coisa que dificilmente os jovens sabem. E depois ter alguns valores de base à luz dos quais sabem optar. E têm de estar preparados para que a única constante da sua vida seja a mudança. O que é uma perspectiva de crise, vão viver permanentemente em crise. É uma utopia a ideia de que a vida é uma estabilidade. A vida é uma instabilidade crónica. E aquilo que se considerava como felicidade, que era a pessoa ter uma carreira feita numa empresa, ou no mesmo sítio, hoje é sinal de falta de imaginação, de falta de coragem e de iniciativa. Tomada a questão assim, o primeiro problema é saber qual a vocação inicial, depois vão mudar. Tenho falado com imensos jovens que não fazem ideia por onde começar. Nem eles, nem os pais, nem os namorados, nem os amigos. As pessoas falam pouco umas com as outras e consigo próprias. E depois não se conhecem. Acham que o problema se resolve escolhendo um curso. Ora o curso é um instrumento, é um meio, não é um fim. Depois o que acontece é que escolhem cursos errados. Mais valia as pessoas conhecerem-se. Saberem exactamente por onde querem começar. Que tipo de aptidões e limitações têm, onde é que as vão exercitar e o que é que as torna mais felizes. Mesmo os que acertam na vocação acabam por não ter lugar em Portugal. Para os jovens de hoje a sua sociedade é o mundo. Tenho pena que isso aconteça, mas muitos jovens têm mesmo de procurar trabalho lá fora.

 

 

RF – A blogosfera é uma nova forma de fazer jornalismo?

MRS- É. No dia em que houver uma ligação mais íntima entre a televisão e a internet, o que inevitavelmente vai acontecer, alguns conteúdos da blogosfera serão partilhados pela televisão. Neste momento isso ainda não aconteceu devido à crise. Sobretudo em Portugal a crise travou o crescimento da blogosfera. Se eu tivesse que prever, acharia que nas últimas eleições a blogosfera teria sido decisiva e não foi. E a explicação é o dinheiro. Não o facto de ter um computador ligado à internet, mas ter vida para viver na blogosfera. Gasta-se tempo e o tempo é dinheiro.

 

 

 

publicado por Rita Filipe às 22:09
18 de Dezembro de 2009

O meu próximo convidado dispensa apresentações. É Professor na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, mas foi no pequeno ecrã que nos habituámos a vê-lo. O programa onde faz a análise da semana já se tornou um clássico dos Domingos. Estive à conversa com o Professor Marcelo Rebelo de Sousa.

 

publicado por Rita Filipe às 15:56
10 de Dezembro de 2009

 

Licenciou-se em Sociologia. Foi comissário de bordo. Actualmente é bancário. A necessidade de ter um projecto pessoal levou José Cabral a criar o Alfaiate Lisboeta. O blogue nasceu em Janeiro de 2009 e já é um dos mais lidos em Portugal. Até 31 de Janeiro podemos ver as fotos do Alfaiate no WindClub em Oeiras.
 
Sou uma pessoa orientada para pessoas. Uns estão orientados para números e para resultados. O blogue é o meu projecto criativo.
 
 
 
Rita Filipe – Quem é o Alfaiate Lisboeta?
 
José Cabral – O Alfaiate Lisboeta é um projecto meu. Eu não sou o alfaiate lisboeta. O alfaiate é qualquer coisa que a dada altura da minha vida me lembrei de fazer.
 
RF – Como é que surge a ideia de fazer um blogue com fotografias de pessoas que passam na rua e que o José fotografa porque lhe chama à atenção a forma como estão vestidas?
 
JC – Já tinha uma predisposição para fazer qualquer coisa minha. Trabalho por conta de outrem e de vez em quando sinto que falta qualquer coisa para mim. O alfaiate lisboeta é meu e também sou eu. Apesar de nunca ter ligado a blogues sentia a necessidade de fazer qualquer coisa diferente. Ainda hoje não passo muito tempo a ler blogues nem sequer os dos meus amigos. Até que conheci o Sartorialist. Achei aquilo tão giro que fiquei com vontade de fazer qualquer coisa à minha escala, de acordo com as minhas capacidades, porque nem sequer tenho formação em fotografia. Juntei a tal predisposição para fazer qualquer coisa minha com esta inspiração e criei o blogue.
 
RF- Qual é o poder de uma imagem?
JC - Não me levo muito a sério. Sou sensível às pessoas, mais do que um blogue de moda, o alfaiate é um blogue de pessoas. A moda muitas vezes é um pretexto para falar de muitas outras coisas. Não é por acaso que os melhores posts são os mais pessoais. Em que eu ofereço mais de mim. É muito simpática a comparação que fazem entre o Sartorialist e o Alfaiate porque é um blogue muito bonito. O sartorialist é um blogue de moda. Aquilo é a vida do autor dele. Eu não sei nada sobre moda.
 
RF – Qual é o critério para incluir alguém num post?
JC – É estritamente estético. É o chamado street fashion blogue.
 
RF- O feedback ao alfaiate tem sido muito bom. O que lhe dizem acerca do seu projecto?
JC- No início foi visto de uma forma excêntrica. Uma coisa gira é que antes de convencer os meus amigos, convenci pessoas que não me conheciam. Não tinha nenhuma máquina por trás de mim, apenas o blogue. E o poder da blogosfera é mesmo esse. Quem tem um projecto de que os outros gostam, o efeito vai-se reproduzindo. Tenho mais visitas por outros blogues falarem do alfaiate do que pelas entrevistas ou artigos que já saíram sobre o projecto. As pessoas em geral reagem bem. Mas mais importantes são as pessoas que fotografo para o blogue. E essas reagem muito bem.
 
RF – Para onde caminha o Alfaiate Lisboeta? Começou este projecto em Janeiro e neste momento tem em média cinco mil visitas por dia, já foi à rádio e à televisão.
JC – O alfaiate é um blogue e será sempre isso. Não tenho grande expectativa sobre o que vem a seguir. O reconhecimento é bom e é simpático. Até porque dá trabalho. E quando nos empenhamos gostamos de ver o nosso projecto reconhecido. Não digo que o blogue não me possa levar a mim José Cabral a outros projectos, mas não tenho pressa, gosto dele tal como está. É um projecto pelo qual eu tenho muito carinho.

 

 

 

 

publicado por Rita Filipe às 00:11
08 de Dezembro de 2009

 

 

Desafiei o Alfaiate Lisboeta para uma conversa na esplanada do Linha d'água em Lisboa. Encontrei o José Cabral, autor de um dos mais recentes fenómenos da blogosfera em Portugal. Inspirou-se no The Sartorialist e saiu por aí, de máquina fotográfica em punho, para captar imagens de looks inspiradores. O blogue nasceu em Janeiro de 2009, mas já ocupa espaço. Em média o Alfaite recebe 5000 visitas por dia.

 

 

José Cabral, fotografado por João Vieira

publicado por Rita Filipe às 22:20
30 de Novembro de 2009

 

Viveu em Atenas e Amesterdão, mas é Lisboa que a seduz. Assume-se como viajante na sua cidade. Escreve para que outros possam conhecer a sua Lisboa.

 

 

Lisboa é uma mulher que queremos ter por amante. Não é uma mulher perfeita, mas é uma mulher que nos leva à loucura nas esquinas mais esquecidas.
 
 
Rita Filipe – Quem é a Sancha Trindade?
 
Sancha Trindade - É uma viajante da cidade, que tem uma missão: a de partilhar Lisboa e é uma pessoa com muito orgulho no seu país. Com perfeita noção da riqueza cultural dos nossos poetas e da nossa literatura e que se predispõe todos os dias a fundir-se com a cidade para enaltecer essa partilha. Acima de tudo para elevar a auto-estima dos portugueses. Acho que esta é a grande missão.
 
RF – Como é ter a cidade na ponta dos dedos?
ST - É um privilégio muito grande e um sentimento que me ultrapassa todos os dias. Que me surpreende e que me faz todos os dias chegar à noite e para além das cinco coisas que eu aprendi a agradecer, agradeço a minha vida, a qual sinto como um enorme privilégio.
 
RF – Como descreveria Lisboa a um estrangeiro que não conhece a cidade?
ST Lisboa é uma mulher que queremos ter por amante. Não é uma mulher perfeita, mas é uma mulher que nos leva à loucura nas esquinas mais escondidas e fascinantes. Consegue ser uma cidade elegantemente sexy, mas muito misteriosa. Acho que é uma cidade que queremos ter como amante para o resto da vida, uma cidade que reúne as qualidades mais fascinantes de uma mulher e uma da mais importantes: o facto de ser muito feminina.
 
RF – Porque é que escolheu o Café Royale como palco da nossa conversa?
ST – Este foi um dos sítios a que mais me agarrei quando voltei da Holanda e da Grécia. Voltei com medo. Quando se está 4 anos fora de Portugal... O Royale foi o primeiro café que me surpreendeu no novo Chiado. Nós temos uma pastelaria fascinante, que põe a pastelaria francesa a um canto. Mas os nossos cafés não são bonitos e isto é Portugal, um diamante em bruto. Temos uma pastelaria fascinante e depois temos esplanadas com cadeiras berrantes a publicitar refrigerantes. Felizmente isso está a acabar. E este foi um dos cafés que me mostrou que Lisboa estava mesmo a mudar. Na altura uma série de guias e revistas elegeram Lisboa como um dos melhores destinos da Europa e nessa visão do mundo esta morada é transversal. Aqui encontram-se pessoas clássicas, originais, eruditas, alternativas, sonhadoras e tudo o resto. Gosto desta transversalidade.
 
RF – O que é que Lisboa ainda não tem?
ST – O drink after business. Lisboa ainda não tem a continuidade do dia. Lisboa ainda não tem o encontro entre os viajantes.
 
RF – Qual é a cidade da sua vida?
ST – É Lisboa. Se não fosse Lisboa, escolhia Atenas. É a cidade mais feia do mundo, mas foi onde aprendi a ser feliz. Atenas tem esquinas maravilhosas e os gregos vivem a vida e a partilha como ninguém e lembram-me o Porto: quando fazem, fazem muito bem. Farto-me de dizer isto, o Porto dá dez a zero a Lisboa em muita coisa e o que fazem é com muita pujança e paixão. Mas respondendo à pergunta é claro que a cidade da minha vida é Lisboa.
 
RF – O que é que Lisboa tem de tão especial?
ST – É uma cidade que me continua. Que tem o Tejo, que tem muita história. Eu cresci aqui, neste bairro. Lembro-me de descer o Chiado de mão dada com os meus pais e ir à Ferrari ao Sábado de manhã beber um batido de morango e comer as bolachas de framboesa que imortalizaram a montra que infelizmente desapareceu com o incêndio. Ainda hoje guardo com carinho as recordações do Chiado antigo.
 
RF – Como é que se define profissionalmente?
ST – Costumam arrumar-me na gaveta dos jornalistas, mas alguns dizem que sou cronista, outros colunista. Acho que sou simplesmente uma viajante que partilha a sua cidade. 
 
 
 
 

 

publicado por Rita Filipe às 23:05
23 de Novembro de 2009

Tem Lisboa na ponta dos dedos. Assume-se como viajante da cidade. Escreve para a revista Única do Expresso, GQ,  Lisbon Golden Guide, entre outros.  Os dias são dedicados à cidade que a apaixona. Estive à conversa com Sancha Trindade, uma mulher que tem o privilégio de divulgar Lisboa.

 

 

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foto roubada ao alfaiate lisboeta

publicado por Rita Filipe às 12:16
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