Um blogue em que os meus convidados são desafiados para uma entrevista em jeito de conversa de café
28 de Outubro de 2009

O termómetro marcava 20 ºC. A noite fabulosa. Passavam cerca de vinte minutos das 21horas quando passei pela Sé. Mergulhei na alma lisboeta.Cumprimentámo-nos. Pediu-me que o deixasse tocar antes da entrevista. Como se precisasse disso para respirar. Aceitei. Convidou-me a escutar o fado. A conversa aconteceu ao longo da noite, entre o dedilhar da guitarra e a voz dos fadistas. Compôs alguns dos fados que tanto gostamos de ouvir.Trata a guitarra portuguesa por tu.  O Clube de Fado é uma das suas grandes paixões. Estive à conversa com Mário Pacheco.

 

publicado por Rita Filipe às 14:57
26 de Outubro de 2009

  

Encontrámo-nos na recém inaugurada Casa das Histórias Paula Rêgo, em Cascais. A cafetaria do edifício projectado pelo arquitecto Souto de Moura serviu de palco à nossa conversa. Uma entrevista em que o estilista revela detalhes da sua criatividade, num local que merece ser visitado.

 

A colecção deste Inverno foi inspirada precisamente na obra da pintora Paula Rego. Daí a minha sugestão do local. Porque de facto é um universo de que gosto particularmente e estou muito feliz por termos este projecto aqui em Cascais.

 

O estilo JAT é sóbrio, depurado, elegante, sofisticado, teatral e romântico. As minhas referências são bastante românticas, quer associadas ao período romântico, quer ao romance e às histórias de amor, aos seus personagens.

 

 

 

Rita Filipe - Quem é o José António Tenente?

José António Tenente – (risos) Profissionalmente sou um designer, que trabalha há 23 anos e que tem, sem falsas modéstias, um percurso que é particular no panorama da moda nacional, com um projecto, uma linguagem, uma identidade próprias, e que obviamente reflectem muito aquilo que sou como pessoa, os meus gostos, as minhas opções estéticas. Porque na realidade, a minha opção de projecto de autor, foi muito nessa perspectiva. Aconteceu naturalmente. Não fiz um plano estratégico quando comecei. Mas de facto este projecto reflecte muito do que sou.

 

RF – Como é que define o estilo José António Tenente?

JAT – (...)O estilo JAT é sóbrio, depurado, elegante, sofisticado, teatral e romântico. Este último, é o adjectivo mais recorrente na análise do meu trabalho. As minhas referências são bastante românticas, quer associadas ao período romântico, quer ao romance e às histórias de amor, aos seus personagens.

 

RF – O que é que o inspira a criar?

JAT – São muitas coisas. A música, o cinema, a pintura, a escultura, às vezes até uma pesquisa histórica específica. Um corte, um detalhe, são variadíssimas coisas. Já comecei uma colecção a partir de uma música, de uma banda sonora, a partir de um filme, ou de um personagem específico. A colecção deste Inverno (09/10) foi inspirada precisamente na obra da pintora Paula Rego. Daí a minha sugestão do local. Porque de facto é um universo de que gosto particularmente e estou muito feliz por termos este projecto aqui em Cascais. Foi uma visão extraordinária e uma excelente conjugação de factos para que esta casa se instalasse aqui em Cascais. É extraordinário haver este espólio em Portugal. Há uns anos que tinha a ideia de criar uma colecção baseada no universo da Paula Rego. Mas há ideias que precisam de ser amadurecidas e precisamos do momento certo para as desenvolver. Sempre associei este universo a uma colecção de Inverno. (...) É o meu olhar actual sobre esta pintura. Não é nenhuma tese de doutoramento, não pretende ser um ensaio teórico sobre… é a minha perspectiva neste momento. E nesse sentido, peguei nas imagens, que para mim são emblemáticas do período mais decorativo e figurativo das obras de Paula Rego, a partir de meados dos anos 80, e desenvolvi a colecção toda a partir daí. Como também se tratassem de quadros. Desenvolvemos uma série de vestidos inspirados nas ‘Criadas, na ‘A madrinha do novilheiro, na ‘A prova’, nas ‘Avestruzes bailarinas’…

 

RF – Já lhe aconteceu alguma vez ir na rua e pensar “eu tenho um vestido perfeito para aquela mulher”?

JAT – (...) Ultimamente acontece-me mais vezes dizer: Que disparate! (risos) Porque é que vestiu aquilo? O que é que lhe passou pela cabeça? Por outro lado também consigo fazer outra análise, que é curioso… as pessoas estarem tão libertas hoje em dia. O que às vezes é um contra-senso: por um lado há a ditadura do belo, do eternamente jovem, do corpo perfeito. Andamos o ano inteiro a fazer dieta, à procura da tal perfeição que se vê nas revistas, que são sempre corpos magros, altos mas por outro lado, as pessoas mais facilmente se atrevem a consumir a imagem. Estou a pensar, por exemplo, em miúdas com calças de cintura descida, com corpos que não são propriamente os mais indicados para o fazer. Mas ao mesmo tempo acho giro terem coragem e estarem bem. É um bom sinal dos tempos, as pessoas estarem bem com o que são.

 

RF – Dê-me 2 ou 3 exemplos de vestidos que lhe tenham dado um especial prazer em criar.

 

JAT – (...) Gostei imenso de fazer os vestidos que a Ana Moura usou nos concertos do coliseu no ano passado. Tive imensas reacções positivas ao vestido que a Bárbara Guimarães usou na Gala dos Globos de Ouro este ano. Estes são exemplos que as pessoas conhecem, mas tenho essa sensação muitas vezes com clientes anónimos. Podem não ir para o palco, mas naquele dia especial é mais ou menos a mesma coisa.

 

RF- Quem é que gostava de vestir?

JAT – Tenho tido a sorte de profissionalmente, através do meu percurso e do percurso profissional de algumas pessoas, de me cruzar com pessoas de quem gosto muito, algumas das quais até já admirava os seus trabalhos anteriormente. Isto aconteceu, por exemplo, com a Bárbara Guimarães, a Teresa Salgueiro, a Maria João, a Leonor Silveira, a Beatriz Batarda, mais recentemente a Ana Moura. Gosto mais destes encontros do que estar a pensar e a projectar quem gostaria de vestir e depois isso nunca acontecer.

 

RF – Qual foi o pedido mais extravagante que um cliente lhe fez?

JAT – As pessoas que vêm ter comigo conhecem o meu trabalho, sabem qual é a imagem da marca, identificam-se bastante com o meu trabalho. Nestes anos todos de trabalho tive 2 ou 3 casos em que eu senti que não era a pessoa certa para aquele pedido. E não era nada de extravagante. Era uma coisa normal para aquele cliente mas que para mim não fazia sentido. E quando é assim digo que ficamos todos mais felizes se o cliente encontrar a solução noutro lado, porque de facto o que pretende não tem muito a ver comigo. Não vou conseguir fazer um bom trabalho e há quem o faça melhor.

 

RF – Acha que os portugueses se vestem bem ou mal?

JAT – Isso é muito relativo de facto, mas de uma forma geral, hoje, os portugueses vestem-se muito melhor. Têm muito mais oferta, têm muito mais informação de moda, a moda democratizou-se bastante. Olhando para trás, é obvio que hoje se vestem melhor. Também é verdade que tanto em Portugal como no resto do mundo, a faixa que veste moda ‘de autor’, é sempre minoritária. Ainda assim, as pessoas estão mais atentas ao que se usa, quais são as cores, silhuetas... e isso é de facto fruto da grande oferta que hoje temos em Portugal.

 

RF – Qual é o poder que a moda tem?

JAT – A moda tem um grande poder. Às vezes é sobrestimado e outras subestimado. A moda influencia as pessoas em pequenas coisas das quais nem sempre se tem muito bem noção. Basta pensarmos que há pouco tempo dissemos isto nunca na vida vou usar, amarelo nunca, chumaços nunca, leggings nunca, e depois passados duas estações usamos. Esse é um poder muito imediato. Depois, a médio prazo, há também o poder de mudar mentalidades. Por exemplo, há 20 anos não era vulgar ver uma grávida assumir a barriga, e hoje no Verão usam top e calças com a barriga completamente de fora. Outro exemplo, são as referências femininas que o vestuário masculino hoje tem. Silhuetas muito justas para homem, usar cores como o cor-de-rosa, e não estamos só a falar de um público muito trendy, estamos até a falar em marcas muito conservadoras.

Na verdade, a moda tem vários poderes, em várias escalas.

 

 

 

entrevista completa aqui

 

 

publicado por Rita Filipe às 00:21
16 de Outubro de 2009

  

 

O meu próximo convidado é o estilista José António Tenente. A conversa promete muito glamour !

publicado por Rita Filipe às 11:34
10 de Outubro de 2009

 

É impossível ficar indiferente ao Salvador. A energia com que explica os seus projectos contrasta com o corpo preso a uma cadeira de rodas. Falámos de sonhos, acessibilidades e do seu mais recente desafio, o programa de televisão com o seu nome. "Salvador" estreia a 12 Outubro na RTP1.
 
 
"Tenho aprendido que na vida temos de nos focar naquilo que somos bons. E fazer das desvantagens uma vantagem."
 
 
"Acho que o programa vai ter bastante impacto, até porque aborda a temática da deficiência mas de uma maneira séria, optimista, e não lamechas. Mais do que uma lição de vida, espero que o programa ajude a mudar mentalidades. "
 

Rita Filipe – Quem é o Salvador?

Salvador Mendes Almeida – É um jovem com 27 anos, alegre, bem disposto, de bem com a vida e que aos 16 anos teve um acidente de mota. (...)

RF – Como surge a Associação Salvador?

 

 

SMA – Desde que tive o acidente e que fui retomando o contacto com a realidade, fui percebendo que não era uma situação passageira, que não era dali a um ou dois anos que ia voltar a andar, tive de me confrontar com várias situações. (...) Tenho aprendido que na vida temos de nos focar naquilo que somos bons. E fazer das desvantagens uma vantagem. Quando estava a terminar o curso, fundei a Associação Salvador porque percebi que os apoios para pessoas com deficiência e os apoios nesta área das acessibilidades são poucos ou inexistentes. (...)

RF – O Salvador recebe muitos pedidos de ajuda na associação?
SMA – Sim recebemos bastantes. Desde pedidos de cadeiras de rodas, a adaptações para uma casa, pedidos de informação para transformações de carros, desde pessoas que procuram eventos de convívio para se integrarem e para estarem com pessoas na mesma situação. Recebemos diversos pedidos aos quais tentamos responder da melhor forma para respondermos à nossa missão que é a integração plena das pessoas com mobilidade reduzida.

RF – A Associação vive do mecenato?
SMA – Exactamente. É uma associação sem fins lucrativos, vive de mecenas, de empresas que nos apoiam mas também de particulares que podem contribuir através de 2 euros por mês, através de uma mensalidade, tornando-se amigo da associação Salvador. Tornar-se amigo é não só comparticipar com uma verba mensal, anual o que a pessoa entender, mas também a nível de voluntariado. Desde levar uma pessoa paraplégica da zona onde habita a passear, desde ser nosso voluntário em eventos de convívio.

RF – A partir de Segunda-feira, 12 de Outubro, a Associação vai passar a ter com certeza uma visibilidade diferente. Estreia na RTP1 o programa Salvador. Fale-me deste desafio.

SMA – O programa tem 13 episódios. Em cada semana apresento uma história de vida de uma pessoa positiva, com coragem. Damos a conhecer pessoas que vivem com muitas dificuldades no seu dia-a-dia mas não foi por isso que deixaram de lutar e de viver. (...) Acho que o programa vai ter bastante impacto, até porque aborda a temática da deficiência mas de uma maneira séria, optimista, e não lamechas. Mais do que uma lição de vida, espero que o programa ajude a mudar mentalidades. Às vezes as pessoas não dão emprego a pessoas deficientes, ou pensam coitadinho, e põem-no na recepção a atender o telefone. (...)

RF – Portugal é um país complicado na questão das acessibilidades?
SMA – As pessoas são pouco respeitadoras. Eu quero acreditar que quando alguém estaciona num lugar reservado a uma pessoa com deficiência, ela não tem noção do que faz. Porque se conhecesse as dificuldades que as pessoas sentem no dia-a-dia, ter que tirar a cadeira, ter que a pôr, se está a chover demora mais tempo ainda, se estaciona mais longe ainda terá possivelmente de subir a um passeio… são inúmeras as barreiras.

RF – Qual foi o maior desafio da sua vida?
SMA – O mais radical foi ter mergulhado a mais de 30 metros de profundidade e depender sempre de terceiros. E eu não poder controlar nada. Quando penso nisso acho um bocado inconsciente. Se acontece alguma coisa à outra pessoa eu não consigo sair de lá. O mergulho foi um dos grandes desafios da minha vida. O mergulho é assim o mais radical, mas todos os dias temos que desafiar-nos a nós próprios. Para fazer mais daquilo que fazemos e cada vez melhor. O desafio em que estou neste momento mais empenhado, é através da associação Salvador, a construção de um Portugal mais acessível.

RF- É esse o seu maior sonho Salvador?
SMA – Não é o maior, tenho outros sonhos como casar e ter filhos, voltar a andar, mas são coisas que não acontecem de hoje para amanhã. São projectos a longo prazo. A construção de um Portugal mais acessível também é uma coisa faseada, mas enquanto profissional desta área de acção social, onde a associação faz o seu trabalho, é onde me sinto mais realizado.


RF – Com todas as dificuldades que enfrenta diariamente, onde é que o Salvador encontra a sua força?

SMA – Faço questão de me rodear de pessoas com energia positiva. Acho que às vezes temos um conceito errado de felicidade. A felicidade não consiste apenas em momentos bons. A felicidade duradoura é um processo contínuo.

 
 



 

 


entrevista completa aqui

 


 
 
publicado por Rita Filipe às 16:54
06 de Outubro de 2009





O meu próximo convidado é um exemplo de vida. Salvador Mendes de Almeida prepara-se para mais um desafio. No seu novo programa torna os sonhos de pessoas com mobilidade reduzida em realidade. "Salvador" faz parte de nova grelha da RTP1 a partir do próximo dia 12 de Outubro.
publicado por Rita Filipe às 13:37
03 de Outubro de 2009


"Não é por acaso que o negócio de produtos que mais tem crescido em vendas no último ano são velas, preservativos, brinquedos eróticos e chás. "

O meu entrevistado chegou com um look casual. Quase casual... Nos pés trazia uns ténis cor-de-laranja a contrastar com o blazer preto. Tentou de tudo para sabotar a minha entrevista. Brincou com o gravador, respondeu a emails através do iPhone, olhou para os pombos. Aquilo que agora publico é o resultado de uma tentativa séria de fazer uma entrevista ao nosso cool hunter de serviço.
O arranque foi conturbado. O Luís não parava de testar o gravador. Consequentemente eu não parava de rir.


Rita Filipe - Quem é o Luís Rasquilha?

Luís Rasquilha – O Luís Rasquilha é um bocadinho disto, de espontaneidade, de diversão. E que tenta por sempre uma componente de diversão em tudo o que faz. Tenho 34 anos, e como dizem as minhas sobrinhas “já tem idade para ter juízo”, e divido-me entre as aulas que dou, a empresa onde estou mais focado na componente das tendências como core de negócio. (...) O Luís Rasquilha é o resultado de acontecimentos muito pouco planeados.

RF – Explica-nos o que é ser cool hunter.


LR - Vamos primeiro explicar o que é ser cool. É uma componente técnica, é uma profissão, e tem uma definição muito clara. Cool é tudo aquilo que é atractivo, inspirador e com potencial de crescimento. Ou seja, não estamos a falar de ideias, de gadgets, de coisas giras, de design. Estamos a falar de coisas, pessoas, comportamentos, cores, sons, locais, acontecimentos, objectos e tudo aquilo que entendamos como sendo atractivo, inspirador e com potencial de crescimento. Isso é a definição de cool que nós praticamos quase como um fundamentalismo. Ser cool hunter são as pessoas que no mundo procuram o que é cool. Ou seja, é um conjunto de pessoas que está em 2% da população mundial, e que mesmo assim já é muita gente, que tenta ser capaz de identificar nos outros, situações, acontecimentos, que possam no futuro ser tendência.

RF- Cool, é um conceito recente?

LR – O conceito cool tal como o entendemos tem 3 , 4 anos. A metodologia, ou a procura de coisas na tentativa de antecipar o futuro tem 15 anos. Nós trabalhamos com o comportamento do consumidor, com sociologia do consumo, temos de perceber como é que as pessoas se comportam e em função disso extrair para a realidade insights que sejam reveladores do que elas expressam, do seu subconsciente e depois transpor isso para as empresas como uma mais valia de negócio para criar novos produtos, novas marcas, com os actuais ou novos consumidores.

RF – Dá-me três exemplos de coisas que sejam tendência neste momento, que sejam cool.

LR – Uma que está muito na ordem do dia. A gripe A é um bom exemplo. Há um princípio na gripe A muito engraçado que é, se apanhares gripe ficas imune. E portanto quando a curas ficas resistente ao vírus. Neste momento fazem-se festas de pessoas infectadas com gripe A para que as pessoas apanhem a gripe antes do surto, do caos, da pandemia. Isto para que o tratamento que tenham seja ainda personalizado, mais cuidado. (...) E tu perguntas, o que é que isto tem de cool? Na perspectiva de ser atractivo, inspirador e com potencial de crescimento é muito interessante porque expressa nas pessoas a consciência clara dos comportamentos que têm, ou seja, ai meu Deus que tenho de fugir da gripe. Não, se calhar tenho é de apanhar a gripe A já para quando toda a gente a tiver eu já ter passado por ela. Este é talvez o extremo mais engraçado. Outro exemplo que também tem sido muito interessante na perspectiva do Facebook, Twitter, Strar Tracker, em que cada vez queres ter mais amigos, fazer crescer a tua base de amigos online, vais reduzindo a tua base de amigos offline. Tens 4 ou 5 amigos reais, e depois expões a tua vida na net. Aquilo que nós chamamos o secrecy please. Na tua vida real retrais-te um bocadinho e não mostras tudo. Isso é muito interessante para ver como marcas como a Adidas, a Footlocker têm criado séries limitadas de ténis, com design exclusivo, séries assinadas, para teres uma coisa que é só tua. Exactamente para bater neste tópico do secrecy. Outra coisa muito engraçada prende-se com a alimentação. As pessoas continuam a não ter tempo para comer, e isso proliferou muito a fast food. Hoje com as preocupações alimentares e com a obesidade, as pessoas continuam a não ter tempo para se alimentarem bem mas estão a abandonar o conceito fast food e estão à procura do good food fast. Ou seja comida relativamente rápida ou embalada, mas rápida. E em Portugal tens a Go Natural a Magnólia, tens o H3. São marcas que incorporam o espírito do good food fast. Não tenho de estar à espera, como logo ali, mas é comida mais saudável do que a típica pizza ou hambúrguer de plástico. Dei-te 3 exemplos sendo que o meu preferido é a gripe A neste momento.

RF – O que vai ser tendência brevemente?


LR – A crise mundial que todos nós vivemos, uns mais directamente do que outros, tem muitíssimas vantagens. A primeira é o regresso à família, o regresso a casa. Um back to basics. Ou seja, as pessoas porque não têm dinheiro para as férias, as viagens, os fins de semana fora, os jantares fora, há uma retracção desse tipo de comportamentos e as pessoas têm de se virar mais para dentro de casa e para a família, que tem a ver com uma série de valores mais antigos. Vai ajudar negócios como o das televisões, das consolas, da música, em que passas a ter dentro de casa aquele entretenimento que se calhar vivias fora. Querias ir para algum sítio e agora como não podes ficas em casa. Não é por acaso que o negócio de produtos que mais tem crescido em vendas no último ano são velas, preservativos, brinquedos eróticos e chás. E isto explica-se. (...) Outra, e essa continuará a ser cada vez mais expressa tem a ver com a economia da experiência. Nós estamos muito mais numa lógica de compra e decisão emocional, até porque como temos que racionalizar o nosso dinheiro, não podemos comprar tudo e portanto temos de racionalizar entre duas emoções, o que é uma dicotomia engraçada, e estamos a assistir ao facto de as pessoas quererem coisas, experiências memoráveis. Ou seja, em vez de comprarem mais um carro ou mais um relógio, querem aquele carro, aquele relógio. Podem não voltar a comprar mais nenhum na vida, mas é aquele que lhes proporciona uma experiência absolutamente inesquecível. Deixa de haver espaço para a não diferenciação. Tudo o que é igual deixa de ter espaço.

RF – Dentro da mala tens o primeiro exemplar do teu novo livro. Acabaste de chegar da editora. O que acrescenta ao mercado?

LR – O livro chama-se Publicidade e depois tem um subtítulo onde tem fundamentos, estratégia, criatividade, média e técnicas de comunicação. Está assente naquilo que é o curso no INP que eu coordeno em Publicidade. (...) De certa forma é a sebenta que ajuda os alunos a conseguirem acompanhar. Qual é a vantagem do lançamento deste livro? Ele vem trazer por um lado de uma forma muito pragmática e muito concentrada e simples, a questão de que a boa publicidade não é tabu, todos a podem fazer e não é só conseguida pelas grandes marcas. Aliás, a grande diferença que tem este livro é ser um livro de publicidade sem ter um único anúncio. (...) Não venho dizer que este é o melhor livro de publicidade do mercado, mas é a primeira vez que um livro junta a componente da estratégia com a componente criativa.

RF – Com tantos projectos como é que geres a tua vida pessoal?

LR – A vida pessoal é a grande penalizada disto tudo. Raras pessoas conhecem a minha vida pessoal. Não a mostro e faço-o deliberadamente. Gosto de proteger quem está à minha volta, até porque tenho pouco tempo para eles não os devo expor a essa falta de tempo. A minha vida pessoal é gerida com alguma dificuldade, com as pessoas que à volta se queixam pela minha ausência, sejam os amigos ou a família. Tem sido difícil de gerir, mas quem me conhece e gosta de mim já se habituou mais ou menos. Não sou claramente um modelo de vida pessoal.

RF – Qual foi a pergunta que nunca te fizeram à qual gostavas de ter respondido?

LR – É difícil …já fiz muitas entrevistas nos últimos 5 anos com alguma regularidade… olha, a pergunta se me arrependo de alguma coisa do que fiz até agora, é uma pergunta interessante. Nunca me perguntaram isso.

RF – Então cá vai, arrependes-te de alguma coisa que fizeste?

LR – Todos temos algo de que nos arrependemos. Profissionalmente faria tudo da mesma forma, não me arrependo de nada. Em relação à minha vida pessoal mudaria algumas coisas, seria claramente diferente. Mas não me arrependo de rigorosamente nada. Se voltasses atrás onde é que mudavas alguma coisa? Em termos profissionais há 10 anos atrás, e não querendo dizer as marcas, estava comprometido com uma empresa, tinha um contrato assinado e tive um segundo convite. Esta segunda empresa era uma espécie de modelo na altura, da qual eu gostava imenso. Pensei se deveria quebrar o contrato que tinha com a primeira para ir para aquela. Mas os meus valores éticos falaram mais alto e fiquei onde estava. Revelou-se uma experiência interessante mas não com a solidez e a durabilidade que eu achei que teria quando fui para lá. Se tivesse quebrado o tal contrato tenho a certeza de que hoje estaria com certeza na segunda empresa. Mas não é um arrependimento, é uma constatação de que houve ali um momento de indecisão que mudaria de certeza o que estou a fazer hoje.
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publicado por Rita Filipe às 15:57
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