Um blogue em que os meus convidados são desafiados para uma entrevista em jeito de conversa de café
23 de Setembro de 2009

Hoje entrevistei "um tipo comum". Aos 45 anos o jornalista Pedro Rolo Duarte fala com a tranquilidade de quem está no meio há mais de 20 anos. Diz não se levar muito a sério. Já foi convencido. Hoje, é humilde. Está apaixonado pela arte de cozinhar. Um amor quase mais forte que a escrita.

RF - O Pedro Rolo Duarte está neste momento, em simultâneo, na rádio, na televisão e na imprensa.

PRD- E na Internet (risos)


RF – O que é que falta? O que é que vem a seguir?

PRD – Bela pergunta. Não falta nada.(...)Há fases em que cai tudo em cima de nós, lembram-se todos de nós ao mesmo tempo, e há fases em que somos absolutamente esquecidos, ignorados e postos de parte. Eu já passei pelas duas. Estou a aproveitar esta.
RF – Numa entrevista ao Biography Channel diz que o jornalismo é uma paixão. O que é ser jornalista?

PRD – Ser jornalista é ter curiosidade. Essa é a chave. E depois à curiosidade acrescenta-se o gosto por comunicar, o gosto por escrever, o gosto por ler, o gosto por observar, o gosto por ouvir. (...)


RF – Em 2003 escreveu no DNA uma crónica intitulada “A blague dos blogues”, onde criticava o uso da blogosfera por quem já tinha espaço mediático nos jornais. Em 2006 escreve no DN outra crónica intitulada “Mais vale tarde…”, em que com a chegada de Vasco Pulido Valente à blogosfera retira tudo o que disse 3 anos antes. Em 2009 não só tem um blogue pessoal, como tem o programa “Janela Indiscreta” sobre blogues. O que mudou entre 2003 e 2009?


PRD – Eu sou um verdadeiro político, o chamado troca-tintas. (risos) Não, por partes. Essa crónica que eu escrevi foi na altura inicial dos blogues, em que eu, acho que ninguém tinha, a noção do que era essa plataforma, em que me fazia alguma confusão que pessoas minhas conhecidas e do público em geral, pusessem nos blogues tudo aquilo que pensavam, como se não houvesse escolha, como se não houvesse critério, como se tudo aquilo que eles pensassem fosse interessante. (...)Segunda parte da história. Quando eu entendi o fenómeno da blogosfera passei a achá-lo interessante e portanto mudei de ideias. E essa altura corresponde à segunda crónica. Depois fui bastante pressionado ao longo dos anos para ter um blogue, nomeadamente por bloguers. (...)E eu disse sempre a mesma coisa. No dia em que eu não tiver onde publicar aquilo que escrevo eu abro um blogue. E foi exactamente o que fiz. O DNA acabou em 2005, eu ainda estive no DN mais um ano como colaborador com uma coluna semanal na última página e depois o João Marcelino tomou conta da direcção do jornal e enviou-me um email a dizer que a minha colaboração com o jornal estava terminada. E eu fiquei sem ter onde publicar. E então nesse dia criei um blogue. E essa é a razão pela qual tenho um blogue. Porque não tinha onde publicar, porque de outra forma talvez não teria.

RF- E a “Janela Indiscreta”?

PRD - Em 2006 quando saí do DN fui para casa. Não tinha nada para fazer. E o Rui Pêgo, director da Antena 1, telefonou-me a dizer que eu não podia estar sem nada para fazer, pelo menos tinha de voltar à rádio. Então combinámos que eu ia ter um programa. Fomos almoçar e no decorrer da conversa começamos a falar de blogues porque ele também não percebia muito da matéria. E às tantas é ele que diz: “e se nós fizéssemos uma coisa do género revista de imprensa diária mas aplicada à blogosfera”? Mas estávamos a conversar para alguém fazer. E ele perguntou-me: “porque é que não fazes tu?” E aceitei, estava sem nada para fazer.

RF – Twitter, Facebook, Star Tracker. As redes sociais são uma nova forma de comunicar?


PRD – Acho que é uma extensão da comunicação previamente existente. Não diabolizo as redes sociais, mas também não as ponho nos píncaros. Não é nada de extraordinário. (...)


RF – E é difícil falar com elas?


PRD – Não, não é nada difícil. (risos) Eu gosto imenso de conversar, e acho que sou um bom ouvinte.

RF – E o programa “Fala com elas” como surge?


PRD – O programa também foi uma coincidência de interesses. Eu não fazia televisão há 3 anos. Tinha feito um programa de entrevistas na SIC Mulher, foi a última coisa que fiz. Estava a preparar-me para voltar à SIC Mulher, as coisas atrasaram, não se proporcionou e a RTPn fez-me o convite. A ideia não é minha, é deles desde o início, achei engraçada a ideia. Porque não moderar um programa de mulheres? Mas é uma coisa modesta. Nem sequer é um trabalho de autor, eu sou apenas o moderador. Ajudei a juntar aquele painel, a escolha final das pessoas também não é minha. Eu ali sou uma espécie de operário.

RF – É mais difícil ser jornalista hoje do que quando começou?


PRD – (...) Teoricamente é muito mais fácil. Porque há muito mais meios. (...) Na realidade é mais difícil fazer um bom jornalismo. E acho que é uma contradição interessante, porque os jornalistas hoje têm acesso a tecnologia, meios, informação, têm muito mais meios e dispositivos ao seu dispor do que tínhamos há 20 anos. E o jornalismo que se faz agora é mais pobre do que há 20 anos. (...) Há menor rigor hoje em dia. Porque é tudo mais fácil. Vamos à Net. Diz que tem 40 anos, mas afinal não tem. Mas não interessa, já passou.

RF – Se não fosse jornalista o que gostava de ser?
PRD – Cozinheiro (risos)


RF – Porquê?
PRD – Adoro cozinhar, além de gostar de comer também gosto de cozinhar, e foi um prazer que descobri há pouco, talvez há 10 anos. E pelo qual me apaixono todos os dias mais um bocadinho. Nem sei se hoje em dia não gosto mais de cozinhar do que de escrever.


RF – Quem é o Pedro Rolo Duarte?
PRD – É um tipo comum. É uma pessoa absolutamente comum e normal, que teve a sorte de se apaixonar pela sua profissão muito cedo. Com 5, 6 anos já queria ser jornalista e nunca mudei de ideias. Comecei a trabalhar muito cedo e a ter alguma relevância na minha área, facilmente me tornei numa pessoa muito convencida e a achar que era o máximo, rapidamente levei na cabeça tanto tanto que percebi que era um tipo comum. A humildade que não tive no começo de carreira tive passado 10 anos, não demorou muito a chegar, e hoje tenho 45 anos e sou uma pessoa igual às outras, não me levo muito a sério, não me atribuo excessiva importância. E como isto é mesmo uma passagem é para aproveitar enquanto cá estamos.


RF – Que pergunta é que nunca lhe fizeram e que gostava de ter respondido?

PRD – (...) Sabe porque é difícil responder a isso? Porque quando se leva na cabeça o suficiente para se ganhar humildade, de repente não me atribuo grande importância. Acho que não desperto grande curiosidade. Um dos erros que eu cometi foi que expus demasiado a minha vida privada. Portanto quem quiser saber quem sou, não precisa de perguntar nada. Está tudo mais ou menos publicado em algum lugar.

entrevista completa aqui

publicado por Rita Filipe às 19:14
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